terça-feira, 23 de novembro de 2010

micorrizas

Micorrizas
Micorriza é uma associação mutualista não patogênica entre certos fungos do solo e as raízes da planta. A planta, através da fotossíntese, fornece energia e carbono para a sobrevivência e multiplicação dos fungos, enquanto estes absorvem nutrientes minerais e água do solo, transferindo-os para as raízes da planta, estabelecendo assim a mutualista da simbiose.
O grupo que tem maior interesse agronômico dentro dos fungos micorrízicos, são os Fungos Micorrízicos Arbusculares (FMAs). Além de ser predominantes nos ecossistemas tropicais, eles são capazes de formar micorrízas com 95% das espécies de plantas, inclusive a maioria das espécies cultivadas.
O efeito benéfico mais marcante desta associação simbiótica está no aumento do crescimento das plantas mediante o aumento da absorção de nutrientes, especialmente aqueles menos solúveis, como fósforo, zinco e cobre, resultando em plantas mais nutridas e vigorosas, com mais resistência às condições ambientais adversas. Portanto, a micorriza tem um papel importante na sobrevivência e no crescimento das plantas nos trópicos, onde predominam solos de baixa fertilidade, carente em fósforo disponível.
Embora o FMA seja de ocorrência generalizada na natureza, a sua distribuição no solo é desuniforme, além disso, o FMA existente no solo nem sempre é aquele mais eficiente em aumentar o crescimento da planta. Para poder aproveitar melhor o efeito da associação simbiótica com fungos micorrízicos em benefício da planta, é preciso selecionar as espécies mais eficientes de FMA para cada tipo de cultura, e usa-lo no procedimento de micorrização das plantas.
Na natureza, a micorrização é geralmente inibida pela elevada fertilidade, perturbação e erosão do solo, uso de fungicidas sistêmicos e desmatamento. A destruição da vegetação nativa nos trópicos causa perda permanente de algumas espécies altamente adaptadas às condições locais específicas. Isso tornou, muitas vezes, uma reintrodução dos fungos micorrízicos necessário para garantir a sustentabilidade do solo. Para as plantas perenes, a micorrização é usada na formação de mudas, visando obtenção de mudas bem nutridas, vigorosas e uniformes para um índice elevado de sobrevivência e um melhor desempenho das plantas no campo. Por motivo fitossanitário, as mudas de café e citros são formadas em substrato esterilizado. Neste caso, a micorrização é uma prática obrigatória para reposição de fungos micorrízicos ao solo e produção de mudas de qualidade. Outras fruteiras, como mamão e maracujá, a micorrização também está sendo usada para a produção de mudas para o transplantio.
 
Efeito de micorrizas na formação de mudas

O estudo feito com mudas de pimenteira-do-reino, provenientes de sementes, no solo fumigado, evidenciou a alta dependência desta planta com os fungos micorrízicos e as mudas não cresceram na ausência de fungos micorrízicos mesmo adubando A inoculação com FMA aumentou até 10.000% a produção de matéria seca da planta no solo com a adubação. O benefício da inoculação foi obtido também em mudas de estacas de pimenteira cultivadas em solo natural, embora o benefício seja bem menor, sendo de 59% o aumento máximo na produção de matéria seca. Nas mudas de estacas, a inoculação aumentou a absorção de nitrogênio, fósforo e cálcio, sendo a maior quantidade absorvida encontrada em mudas inoculadas com Scutellospora gilmorei, a espécie que promoveu o maior crescimento das plantas de pimenteira-do-reino.

Efeito da inoculação no controle da fusariose

Como a micorrização pode aumentar significativamente a absorção de nutrientes do solo pela planta, resultando em plantas mais nutridas e vigorosas, é de esperar que essas plantas micorrizadas também pode resistir ou tolerar melhor o ataque de patógenos do solo. Para verificar o efeito da micorrização sobre a podridão da raiz de pimenteira, causada por Fusarium solani f. sp. piperis, foi conduzido um experimento com plântula de pimenteira-do-reino, cultivar Guajarina. A inoculação de FMA foi feita três meses antes da inoculação de Fusarium, para garantir o estabelecimento e funcionamento de micorriza dentro das raízes, antes da invasão de patógeno. A redução de 50 a 80% a incidência de fusariose foi obtido com a inoculação de FMA e a espécies que promoveu maior crescimento da planta teve também maior redução de fusariose . Embora os resultados sejam preliminares, mais estudos ainda precisam ser feitos, a inoculação das plantas de pimenteira com FMA não deixa de ser uma prática promissora de aumentar o crescimento da planta através do aumento da absorção de nutrientes e um melhor aproveitamento da adubação, e ao mesmo tempo aumentar a tolerância da planta à doença, reduzindo assim a perda de plantas causada por ela.

Multiplicação do inóculo de FMA e inoculação das mudas

O FMA não se multiplica no meio artificial como outros fungos do solo, portanto, até hoje não está disponível no mercado o inoculo comercial economicamente viável. A obtenção de inoculo ainda é feita, em pequena escala, na presença de plantas hospedeiras. A multiplicação da espécie de FMA selecionada para a inoculação precisa ser feita no substrato desinfectado, para garantir a pureza de inoculo, e também para ter certeza o que está inoculando.
 Como as plantas perenes passam por um período de formação de mudas em recipientes, A inoculação das mudas pode ser feita durante o transplantio para saco plástico preto, usando uma pequena quantidade de inoculo. O efeito da inoculação pode ser observado a partir de terceiro mês após a inoculação.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

FERTIRRIGAÇÃO

FERTIRRIGAÇÃO

Fertirrigação é uma técnica de aplicação simultânea de fertilizantes e água, através de um sistema de irrigação. É uma das maneiras mais eficientes e econômicas de aplicar fertilizante às plantas, principalmente em regiões de climas árido e semi-árido, pois aplicando-se os fertilizantes em menor quantidade por vez, mas com maior freqüência, é possível manter um teor uniforme de nutrientes no solo durante o ciclo da cultura, o que aumentará a eficiência do uso de nutrientes pelas plantas e, conseqüentemente, a produtividade.
Esta aplicação é possível com todos os métodos de irrigação: superfície, aspersão e localizada(gotejamento ou microaspersão) .No entanto, as irrigações por superfície e gotejamento só permitem a fertirrigação de agroquímicos que necessitam ser distribuídos na superfície do solo ou no seu perfil. Por outro lado, na irrigação por aspersão os produtos químicos podem ser aplicados tanto no solo quanto nas folhas. A Fertirrigação possibilita total controle da quantidade de fertilizantes que devem ser aplicados. O uso da Fertirrigação pelo produtor proporciona economia de fertilizantes e de mão-de-obra e maior eficiência na sua aplicação.
Quando se prepara uma solução de fertilizantes envolvendo mais de um tipo de fonte de nutrientes, deve-se verificar se são compatíveis, para evitar problemas de entupimentos das tubulações, e emissores. O cálcio, por exemplo, não pode ser injetado com um fertilizante que contém sulfato. Esses cuidados devem ser ainda maiores, quando a água usada na irrigação tem pH de neutro a alcalino, ou seja, quando as concentrações de Ca + Mg e de bicarbonatos são maiores que 50 e 150 ppm, respectivamente. O ácido fosfórico não pode ser injetado via água de irrigação que contenha mais que 50 ppm de cálcio e nitrato de cálcio e em água que contenha mais de 5,0 meq.L-1 de HCO3-, pois poderá formar precipitados de fosfato de cálcio.
VANTAGENS
            Alguns fungicidas e inseticidas podem ser mais eficazes quando aplicadosn via água de irrigação do que pelos métodos convencionais(trator, avião).É importante frisar que nem todos os produtos químicos proporcionam resultados satisfatórios quando aplicados por intermédio da água de irrigação.Em muitos casos, os métodos convencionais ainda são os preferíveis.
Uma das vantagens óbvias da fertirrigação é a possibilidade de se subdividir a adubação ao longo do ciclo da cultura visando otimizar a utilização dos nutrientes pelas espécies agrícolas ao disponibilizá-los no momento mais adequado,ou seja, cronometrar de acordo com às necessidades fisiológicas da espécie. A aplicação de fertilizantes solúveis junto à água de irrigação visa então prover os nutrientes certos, nas quantidades corretas, o mais próximo possível ao estádio fisiológico em que o nutriente é mais necessário. Isto só é possível se houver disponibilidade de informação quanto à curva de absorção de nutrientes da espécie cultivada em questão.
Em comparação à adubação convencional, a fertirrigação permite ajustes finos de acordo com as fases de desenvolvimento das plantas, melhorando a eficiência no uso de fertilizantes ao minimizar as perdas. Se o método de irrigação utilizado for localizado, como o gotejamento, por exemplo, a economia de fertilizantes pode ser vantajosamente associada à economia de água.No caso da irrigação por aspersão, se a quimigação é realizada concomitantemente, o custo operacional dessa tecnica corresponderia apenas ao custo de operação do sistema de injessão do produro.Por outro lado,se a quimigação é feita sem a necessidade de se umidecer o solo, o custo operacional também incluiria a despesa para operar o sistema de irrigação.
Em regiões áridas e semi-áridas, ou em regiões em que uma cultura se desenvolve durante inverno seco, é fácil planejar a quimigação para que ela coincida com o molhamento das plantas.Nessas condições os custos de aplicação de agroquimicos são muito baixos.
Outras vantagens:
·         Reduz a flutuação da concentração de nutrientes no solo na fase de crescimento;
·         Facilidade de adaptar a quantidade e concentração de um nutriente específico de acordo com a necessidade da cultura;
·         Possibilidade de emprego de água em solo de baixa “qualidade”, solos pedregosos, muito permeáveis;
·         Possibilidade de aplicação de outros produtos utilizando a infra-estrutura, como: fungicidas, nematicidas, herbicidas;
·         Possibilidade de mesclar fertilizantes e/ou fertilizantes líquidos com micronutrientes que são difíceis de distribuir em todo o terreno;
·         Aplicação precisa de nutrientes de acordo com a demanda do cultivo, evitando concentração excessiva de fertilizante no solo e lixiviação;
·         Aplicação de água e fertilizantes em uma faixa determinada de solo onde as raízes estão mais ativas, aumentando a eficiência do fertilizante e diminuindo seu impacto ambiental;
·         Redução do tráfego de máquinas no pomar;
·         Fácil automação da fertilização.
DESVANTAGENS
Uma das consequência colaterais do uso de fertirrigação pode ser o menor volume de raízes, principalmente no gotejamento, já que os nutrientes, assim como a água, são aplicados muito próximo ao sistema radicular. Aliás, se a informação existir, pode-se manejar a fertirrigação localizando-a nos pontos onde há maior densidade de raízes. A aplicação precoce da fertirrigação pode não ser completamente benéfica ao desestimular o aprofundamento do sistema radicular, criando uma dependência excessiva por parte das plantas, potencialmente danosa na eventualidade de pane temporária do sistema de irrigação.
Quando utilizada sob ambiente protegido, como estufas, há ainda o risco quase inevitável de salinização do solo, pela mesma razão por que o sistema pode ser vantajoso: pelas menores perdas do sistema. Como em geral não há entrada de água de chuva ou qualquer excesso de água no cultivo protegido, os adubos utilizados, que em gerais são sais, acumulam-se e aumentam a condutividade elétrica da solução do solo, clássico indicador da salinização.
Além de ser tóxico aos vegetais, compremetendo a produção, a salinização afeta negativamente a estrutura física do solo, por causar repulsão entre as partículas de argila e de material orgânico coloidal, impedindo a formação de agregados no solo. Desta forma, o solo sofre quase uma "compactação química", comprometendo a infiltração de água e o crescimento do sistema radicular. Se houver disponibilidade de água, isto pode ser evitado aplicando-se periodicamente lâminas de irrigação em excesso para que ocorra a "lavagem" dos sais em excesso. Seriam muito interessantes também prática que favorecessem o enriquecimento do solo em matéria orgânica e, antes de tudo, a aplicação racional dos fertilizantes.

IMPORTÂNCIA
            A importancia da fertirrigação está associada às vantagens que este sistema proporciona ao produtor.Com sua utilização além da economia, e redução do desperdício, há também a segurança por parte da mão de obra envolvida, pois a exposição aos produtos quimicos é prejudicial à saúde, sendo sertos produtos pouco tóxicos, porém outros muito tóxicos. A pulverização, feita de forma manual ou com o uso de trator ou avião, expõe o operador ao pesticida de maneira mais aguda quanto maior for a negligenciacom os equipamentos de proteção. No entanto, a fertirrigação, quando usada pelos métodos de irrigaçãoi por superfície e por gotejamento, não expõe o operador aos pesticidas durante a aplicação.Quando utilizada pela irrigação por aspeção, a exposição pode ser breve, uma vez que não é necessária a presença do operador na lavoura.
            No Brasil há experiências muito bem sucedidas ultilizando-se resíduos industriais em culturas específicas. O que faz da fertirrigação, além de um método de adubação mais racional, uma técnica que permite a reabsorção dos nutrientes não aproveitados nos processos industriais, reduzindo muitas vezes a problemática do tratamento e disposição adequada dos efluentes. Por esse motivo, a fertirrigação pode ser aceita como técnica de tratamento de efluentes orgânicos por infiltração no solo. Tal técnica, desde que bem aplicada e acompanhada de profissionais qualificados, não traz malefícios ao meio ambiente, pelo contrário, estimula uma melhor ciclagem do nitrogênio, fósforo e potássio.

Por: Mauricio Alves de Sousa

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
·         Pinto,J.M.; Bassoi,L.H.Monteiro,J.S.(http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia22/AG01/arvore/AG01_53_24112005115222.) EMBRAPA.
·         Guazina,L.Assessoria de Imprensa - Embrapa Hortaliças BR 060 Brasília/Anápolis, Brasília – DF(http://www.cnph.embrapa.br/noticias/not_31a.htm).EMBRAPA.

UMA VERDADE CONVENIENTE

MICROCLIMA
Uma alternativa de climatização simples e consciente
 
Teresina é a capital e o município mais populoso do estado brasileiro do Piauí. O crescente desenvolvimento da cidade de Teresina tem provocado um fenômeno comum em todas as cidades desenvolvidas, que é o aumento de temperatura. Este aumento é ocasionado, além da grande quantidade de gases tóxicos lançados na atmosfera e outros fatores, por inúmeras construções civis realizadas no meio urbano. A concretagem excessiva da cidade aumenta bastante a absorção de calor promovendo alta sensação térmica e as chamadas ilhas de calor.
Como alternativa para diminuição desse fenômeno tem-se a promoção do microclima. O microclima é uma área relativamente pequena com condições atmosféricas diferentes da zona exterior, são formadas geralmente quando há barreiras geomorfológicas, ou elementos como espelhos d´água ou vegetação. Pode-se considerar dois tipos de microclima: microclima natural - que corresponde à superfícies da ordem de 10 m a 100 m; e, microclima da planta - o qual é caracterizado por variáveis climáticas (temperatura, radiação) nas proximidades da  árvore.
Nas áreas com árvores tipo coníferas a luz é fortemente reduzida, mas pouco modificada qualitativamente. Já nas áreas com árvores tipo folhosas, a luz sofre uma grande absorção seletiva que lhe dá uma tonalidade amarelo esverdeada quando as árvores estão com folhas. Numa floresta tropical, a iluminação ao nível do solo pode descer variando entre 0,1 e 1% da iluminação de um terreno descoberto (DAJOZ, 1978).
Teresina é uma das cidades mais quentes do Brasil e é quente a maior parte do ano, com uma temperatura média de 27°C e variando de 20°C a 35°C, nos meses mais quentes a temperatura pode chegar a 40°C, principalmente no mês de outubro. Com o plantio de árvores nesta cidade, essa realidade se torna mais amena, uma vez que as plantas atuam diminuindo essa temperatura e a sensação térmica desgastante.
Segundo WHATLEY & WHATLEY (1982), parte da radiação solar que chega ao dossel florestal é refletida de volta para o céu aberto, parte é absorvida pelas copas e, posteriormente, transmitida para o interior da floresta na forma de ondas longas e, finalmente, uma última parte penetra diretamente na floresta.
            De uma forma geral, o solo florestal é mais quente no inverno e mais fresco no verão que o solo descoberto, sendo este fenômeno observado até profundidades de 1,20 m. A influência da floresta resulta da ação das copas e do isolamento térmico devido ao "litter"(PARDÉ, 1974).
                        Portanto com o cultivo de árvores é possível, de uma forma simples e conciente, criar áreas de microclimas com o intuito de diminuir a incidência de raios solares sobre o solo e conseqüentemente promover uma climatização favorável com baixas temperaturas e boas condições climáticas.

Por: Mauricio Alves de Sousa

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
DAJOZ, R. Ecologia geral. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 1978. 472p.
·        PARDÉ, J. Le microclimat en forest. In: PESSON, P. Ecologie forestière. Paris: Gauther-Villar, 1974. p.1-19.
·         WHATLEY, J. M., WHATLEY, F. R. A luz e a vida das plantas. São Paulo: EPU/EDUSP, 1982. 103p.